03 diciembre, 2011

Vale a pena ver de novo: "Dancin´Days", a volta de um clássico


33 anos depois, novela DANCIN' DAYS acaba de ser lançada em DVD e ganha remake lusitano em 2012.

Julia Matos (Sônia Braga) passou 11 anos presa, e foi sua irmã, a milionária Yolanda Pratini (Joana Fomm), quem criou a sua filha, Marisa (Glória Pires). Júlia Mattos é solta no dia da festa de 15 anos da filha e tenta se aproximar dela, que a repele. Então Júlia vai para a Europa e volta tempos depois, arrasando na pista de dança da boate Dancin´Days e usando a famosa meinha de lurex que ficou conhecida como “meia Dancin’ Days”. Se você não viu na primeira exibição, em 1978, pode ver agora: um dos maiores clássicos da teledramaturgia brasileira foi lançado em DVD. Uma novela com aura de “cult” e “pop”, o sucesso de Gilberto Braga tem tudo para virar assunto outra vez.

A Globo Marcas colocou no mercado no final de outubro um box com 12 DVDs que contêm uma versão compactada da obra. Essa é a terceira novela lançada em DVD pela Globo – a primeira foi “Roque Santeiro” (1985), a segunda “Irmãos Coragem” (1970). A edição em DVD de “Dancin’ Days” apresenta imagens deslumbrantes, digitalizadas com perfeição – o efeito impressiona, dando às cenas rodadas em 1978 um nível cinematográfico.

A caixa de DVDs é uma opção válida para quem quer rever a versão original da trama, ou vê-la pela primeira vez. Mas tem novidade vindo por aí. A Globo, em parceria com a emissora portuguesa SIC, prepara um remake da novela. A produção deve estrear em Portugal em 2012. No papel principal, o da ex-presidiária Júlia Matos, estará a atriz lusitana Joana Santos, de 25 anos.

Uma iniciativa semelhante aconteceu em 2002, quando a Globo se uniu à rede norte-americana Telemundo para produzir um remake de “Vale Tudo” (1988). “Vale Todo” foi realizada em espanhol e exibida no mercado hispânico dos EUA, sem muita repercussão.

“Dancin’ Days” já estava na pauta dos remakes desde os anos 90. Em 1997, a Globo anunciou que faria uma nova versão da novela. Esta seria exibida às 18h, e teria o ritmo do axé substituindo a discoteca da versão original. Malu Mader, Glória Pires e Leandra Leal assumiriam os papéis de Sônia Braga, Joana Fomm e da própria Glória, respectivamente. O axé foi escolhido por estar no auge da moda nos anos 90. Mas esse remake foi descartado, e a Globo optou por um remake de “Pecado Capital” (1976) – que acabou indo ao ar em 1998.

Na época, surgiu também a possibilidade de uma reprise de “Dancin´Days” no “Vale a Pena Ver de Novo”, comemorando os 20 anos da novela. Mas essa ideia também foi descartada, e os fãs e curiosos continuaram na expectativa. Finalmente, em 2011, sai a versão da novela em DVD. Mas afinal, por quê “Dancin’ Days” é tão cultuada?


“Dancin’ Days” foi a estreia do autor Gilberto Braga no horário das 20h. O novelista usou uma ideia da colega Janete Claire: uma mulher sai da prisão e tenta reconquistar o amor da filha, que foi criada com luxo e mimos pela tia rica. Começa um embate entre as duas mulheres, disputando o amor da garota. Essa trama foi de certa forma revisitada 30 anos depois por João Emanuel Carneiro em “A Favorita” (2008) – Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) disputavam Lara (Mariana Ximenes), filha de Flora. Flora saía da prisão após alguns anos, acusada de assassinato. A diferença é que Flora e Donatela não eram irmãs, e Flora era de fato uma criminosa psicopata.

Em “Dancin’ Days”, a trama central era essa: Júlia Matos (Sônia Braga) atropelou e matou acidentalmente um homem, durante um Carnaval na década de 60. Condenada a 22 anos de prisão, cumpre metade da pena. Ao sair da cadeia, pretende se reaproximar da filha, que é dominada pela tia, socialite, que a criou com base em seus princípios de vida, opostos aos da irmã. Yolanda, que se casou com um homem rico para mudar de vida, deseja o mesmo para a sobrinha. Júlia acredita em outros valores e quer influenciar a filha.

Yolanda e Júlia iniciam um duelo que perdurará durante toda a história. A cruel e egoísta Yolanda tenta afastar Júlia da filha, usando para isso algumas armações e muito terrorismo psicológico. A frágil heroína acaba revelando toda a verdade para a filha, no dia em que a garota vai se casar. Marisa reage mal, Júlia toma um porre, dá um escândalo na festa do casamento, e acaba presa novamente.

Após passar mais seis meses na cadeia, Júlia decide se vingar de todos. Ao ser libertada, fica noiva do milionário panaca Ubirajara (Ary Fontoura), viaja para a Europa com a amiga Solange (Jaqueline Laurence) e retorna transformada: ela agora é uma “pantera”, preparada para brigar à altura de Yolanda. Começa aí a segunda fase da novela.


Além do trio feminino central, a novela contava com um elenco de peso. Antônio Fagundes vivia Cacá, o diplomata em crise que se envolve com Júlia, sem saber nem o nome da moça. Cláudio Corrêa e Castro e Beatriz Segall viviam Franklin e Celina, os pais de Cacá. José Lewgoy era Horácio, o marido de Yolanda. Mário Lago viveu Alberico Santos, um nostálgico que vivia do passado, cultuando a Copacabana dos anos 40. Yara Amaral interpretou a neurótica Áurea, em um trabalho memorável. Pepita Rodrigues e Mílton Moraes formavam o casal de namorados Carminha e Jofre.

Pepita era uma das grandes estrelas da Globo na época, casada com Carlos Eduardo Dolabella. Após o término de “Dancin’ Days”, ela engravidou e deu à luz, em julho de 1980, Dado Dolabella. “Dancin’ Days” foi o último grande trabalho da atriz. Depois, ela atuou em “O Amor é Nosso!” (1981) e sumiu do mapa, retornando em 2005, como mãe de Adriana Esteves em “A Lua me Disse” (2005).

Uma grande surpresa foi o trabalho de Joana Fomm. Inicialmente escalada para viver Neide, a empregada de Celina, Joana foi catapultada para o papel de Yolanda – esta seria encarnada por Norma Bengell, que se desentendeu com a direção e saiu da novela, mesmo após ter gravado 20 capítulos.

Joana assumiu o papel de Yolanda e foi um dos maiores charmes da novela. A partir dali, a atriz se especializaria em interpretar vilãs pérfidas.

E até celebridades da vida real apareceram em “Dancin’ Days”, interpretando elas mesmas. Gal Costa, Danuza Leão e Hildegard Angel são algumas delas. Gal aparece em uma festa na casa de Júlia, e até cantarola os sucessos “Folhetim” e “Tigresa”.


A novela aproveitou também a febre da discoteca, que reinava nos EUA desde 1977, com o sucesso do filme “Os Embalos de Sábado à Noite”, e que ganharia o Brasil e o mundo em 1978.

No Rio de Janeiro, o produtor Nelson Motta criou a discoteca The Frenetic Dancin’ Days, que durou de agosto a novembro de 1976, em uma galeria no Shopping da Gávea. Em julho de 78, ao estrear a novela “Dancin’ Days” – cujo título se inspirava no empreendimento de Motta -, a Globo jogou mais lenha na fogueira. E assim, no mesmo ano, Nelson Motta reabria o The Frenetic Dancin’ Days – desta vez em versão turbinada, no Morro da Urca.

Na trama da novela, Horácio cria a discoteca 17, inspirada na nova iorquina Studio 54. Na metade da história, Hélio (Reginaldo Faria) reforma o local, e abre a discoteca Dancin’ Days – em cuja noite de inauguração Júlia volta da Europa, e dá um show de dança na pista, ao lado do Dzi Croquette Paulette; uma cena famosíssima.

Também nessa inauguração, As Frenéticas aparecem cantando o tema de abertura da novela. O grupo feminino havia nascido na verdadeira The Frenetic Dancin’ Days, e virou um sucesso nacional. A música “Dancin’ Days”, de Nelson Motta e Ruban, foi composta especialmente para a novela e gravada pelas seis mulheres, que estavam no auge da carreira.


Além da febre da discoteca, existiram outros modismos popularizados pela novela: as meias de lúrex com sandálias de salto, a boneca Pepa – o brinquedo preferido da personagem Carminha -, uma água de colônia com o nome da novela, o penteado molhado e preso com coque de Júlia na segunda fase, o esporte do vôo livre, os LPs com as trilhas sonoras da novela…


Outro charme da novela era o elenco jovem. “Dancin’ Days” lançou ou consagrou novas apostas da Globo, que de fato mostraram, nos anos seguintes, que talento e carisma não faltavam. Glória Pires iniciou a novela com 14 anos, e completou 15 durante a produção. Seu sucesso como Marisa transformou-a em estrela da Globo – posto que ocupa até hoje.

Marisa formava um triângulo amoroso com Beto (Lauro Corona) e Verinha (Lídia Brondi). Lauro estreava em novelas e virou um jovem galã de fama nacional, que teria uma carreira meteórica e brilhante nos 11 anos seguintes – ele faleceu em julho de 1989.

O sucesso da dupla Glória e Lauro levou os dois atores ao “Fantástico”, onde eles cantaram “João e Maria”, música que, na voz de Chico Buarque e Nara Leão, embalava o romance adolescente da trama.

Lídia Brondi vinha do sucesso de sua personagem em “Espelho Mágico” (1977) e também foi alçada à posição de estrela jovem da casa. Após atuar em inúmeras novelas, decidiu abandonar a profissão em 1991. Desde então, evita reportagens e continua sendo cultuada por uma legião de fãs. Mesmo sendo apontada como “a Greta Garbo brasileira”, nos últimos tempos Lídia tem sido vista com frequência: as reprises de “Vale Tudo” e “Roque Santeiro” no Canal Viva trouxeram a atriz de volta, e agora o DVD de “Dancin’ Days” faz o mesmo.


“Dancin’ Days” tem uma particularidade: o excesso de atores já falecidos. Dos 30 atores do elenco principal, 11 já se foram. São eles: Lauro Corona, Mário Lago, Cláudio Corrêa e Castro, Yara Amaral, Mílton Moraes, José Lewgoy, Lourdes Mayer, Gracinda Freire, Renato Pedrosa, Mira Palheta e Osmar de Mattos.


Exibida originalmente entre julho de 1978 e janeiro de 1979, e reprisada às 22h em 1982, “Dancin’ Days” foi um sucesso avassalador que deixou muitas marcas. Uma delas é a famosa cena final, quando as irmãs Júlia e Yolanda finalmente acertam as contas. No salão vazio de uma boate, as duas se atracam em uma luta feroz, até se reconciliarem no final. Foi um dos primeiros “barracos” das novelas, e até hoje é lembrado como inesquecível – vale lembrar que a cena foi inspirada no filme “Momento de Decisão” (1977), onde Shirley McLaine e Anne Bancroft duelavam em uma sequência bastante parecida.

Sônia Braga e Joana Fomm costumam lembrar em entrevistas que esta foi a última cena a ser gravada. No último dia de trabalho, o diretor Daniel Filho foi gravando cenas do elenco e dispensando os atores. Deixou para o final, propositalmente, a cena da briga e reconciliação das irmãs. Acertou em cheio: a emoção das atrizes era uma mistura de ficção com vida real. Um pouco dessa vibração pode ser agora revisitada com o DVD de “Dancin’ Days”.





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18 septiembre, 2011

FÍASCO NAS TELAS - Novo Conan não consegue desbancar clássico de 1982



Durante décadas Schwarzenegger prometeu a continuação dos dois filmes protagonizados por ele no papel de Conan (O Bárbaro, de 1982 e O Destruidor, de 1984). Os anos passaram e a expectativa que o ator austríaco voltasse a interpretar o guerreiro foi se desfazendo. Quando o anúncio de que uma nova versão (e não um remake!) estava à caminho, os fãs do personagem se empolgaram com a ideia. Infelizmente, o resultado desastroso deste novo Conan – O Bárbaro nos faz desejar que o cimério continuasse enterrado nos anos 1980.

A trama se passa durante a Era Hiboriana (período fictício decorrido há doze mil anos) quando Conan vê seus pais serem assassinados na sua frente e seu povo massacrado pelo conquistador Khalar Zim (Stephen Lang, de Avatar), enquanto ele, ainda criança, é levado para um campo de escravos. Os anos passam e o jovem cresce determinado a vingar-se, ignorando os planos do seu inimigo – reunir as partes de um objeto ancestral mágico para perpetrar seus desígnios e se tornar um deus.

Os problemas desse novo Conan começaram com o trailer. Cenas forçadas, câmera lenta ultrapassada no estilo Matrix, pose e cara de mau, trilha sonora metal chupinhada de 300… Porém mesmo assim tinhamos fé na proposta, talvez pelo inabalável desejo de ver o cimério de volta as telas após um hiato de mais de vinte anos. Até, é claro, assistir o filme.

A película começa com uma narração igual à do longa original, desta vez na voz de Ron Perlman (canastrão ao extremo). Mas se o início é igual, logo o texto introduz a história de um artefato místico, uma máscara poderosa que garantiu a soberania do reino Acheron durante anos em um passado longínquo, espalhando uma era de terror e violência no continente Hiboriano. Por fim, os demais povos se uniram no melhor estilo O Senhor dos Anéis e derrubaram o reinado de Acheron. Está achando clichê e batido até aqui? Fica pior! A máscara foi partida em sete pedaços e seus fragmentos escondidos pelo continente. Obviamente quem reunir a máscara irá ter o poder de controlar o continente e blá-blá-blá. Pois é, você já viu esse filme antes.

Enquanto o talentoso John Milius, no homônimo oitentista, soube compensar seu apertado orçamento com bastante criatividade ao conduzir as sequencias de ação e feitiçaria, o diretor Marcus Nispel – cineasta alemão radicado nos EUA e conhecido pelas refilmagens de O Massacre da Serra Elétrica (2003) e Sexta-Feira 13 (2009) -, diante de um generoso budget que o original jamais obteve, torra a grana sem preocupar-se com a qualidade narrativa ou estética, inundando a tela com sanguinolência desenfreada e efeitos visuais exagerados.

Filmado na Bulgária, Conan – O Bárbaro custou aos cofres de três produtoras (Nu Image Films, Millennium Films e Paradox Entertainment) e da distribuidora Lionsgate cerca de 90 milhões de dólares. Mas, nem o marketing nem o (irrelevante) 3D (convertido) conseguiu convencer o público ir aos cinemas: a aventura arrecadou pouco mais de US$ 10 milhões nas bilheterias norte-americanas, obtendo resultados ainda piores nos outros países onde já foi lançado.

O ator Jason Momoa, que no filme interpreta Conan, até se esforçou em sua atuação e é óbvio que ele imaginava que esse seria o mesmo passaporte para o sucesso como foi para Arnold Schwarzenegger.

Os responsáveis por este fiasco mereciam ter o mesmo destino que os antagonistas do brutal bárbaro. É frustrante ver um personagem com tanto potencial e carisma afundar num filme tão ruim e previsível.

A primeira coisa que me faz gostar de um filme é a trilha sonora. Conan, O Bárbaro (1982) me conquistou desde o inicio, graças ao envolvente Score do compositor Basil Poledouris, que por sí só conseguiu conduzir toda a trama. Esse "remake" além de ter um péssimo roteiro e péssimas atuações, também nos brinda com uma trilha sonora de péssima qualidade. Passe longe deste genérico e vá gastar o seu rico dinheirinho alugando o original de 1982, relançado recentemente em Blu-ray.



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10 agosto, 2011

O IMPÉRIO DOS SENTIDOS


Ainda sob o império da ditadura e da feroz censura que, além de política, também era extremamente moralista, daquele falso moralismo característico das direitas, foi lançado meio tardiamente no Brasil o filme IMPÉRIO DOS SENTIDOS.
Quase um escândalo. Digo quase, porque acho que realmente não foi visto por tanta gente assim, que justificasse um escândalo, passeatas, protestos etc. Mas chocou. Com suas cenas fortes de sexo explícito, nunca antes vistas em cinema dito “sério”, ou seja, num filme que pretendia ser uma obra de arte. E, naquela época, arte e sexo não combinavam muito bem, na cabeça de certas pessoas.

Revi-o agora. Sem o escândalo e sem os comentários idiotas daquela gente moralista da época.
O que dizer de Império dos Sentidos, agora? Talvez apenas uma palavra: obra-prima!
Tem uma história magistral de amor, mas de um amor visceral, carnal, que extrapola qualquer romantismo que ainda pudéssemos ter em relação ao amor.
E mais: a presença de Tánatos no banquete de Eros traduz-se num dos mais perfeitos roteiros de cinema que eu já vi: nada é demais, nada é de menos.
O uso das cores para realçar tanto a paixão carnal quanto a presença sutil do sangue prepara sutilmente o desenlace de uma história acontecida no Japão de 1936, quando rondava o mundo uma das maiores tragédias da história.

Extremamente intimista, o filme é valorizado pela interpretação de Tatsuya Fuji, ator premiado e de grande sucesso no Japão, e de Eiko Matsuda, atriz de tal forma marcada pelas cenas ousadas do filme, que teve de abandonar seu País, passando a viver na Europa.

O filme foi proibido em sua primeira exibição no Festival de Nova York de 1976. O roteiro é baseado em um dos mais famosos escândalos do Japão. Esta é a história de uma ex-prostituta que acaba se envolvendo em um obsessivo caso de amor com o mestre da casa onde trabalha como doméstica. Aquilo que começou como uma diversão casual, atinge níveis em que a paixão não encontra mais seus limites.

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08 agosto, 2011

SÍNDROME DE RICKY LINDERMAN


Seres humanos também são separados em espécies. Há uma seleção natural, que geralmente começa cedo, na sua vida escolar para ser mais exato. Existem vários grupos na sua escola e você sempre quer pertencer a um deles.

Comigo foi diferente, não pelo fato de eu não querer fazer parte de algum grupo, mas pelo fato de nunca ter conseguido isso. Sempre fui isolado, nem vítima de bullying eu fui, simplesmente ficava lá atrás e só.

Não me queixo por isso, afinal justamente esse isolamento me fez uma pessoa questionadora e extremamente viciada em filmes, livros, HQ's e Trilhas Sonoras de Cinema. Porém, na medida em que se torna mais culto, seu filtro para relações aumenta em igual proporção. Pessoas comuns e conversas fúteis já não são suficientes e quando se tem 13 anos é como se fosse uma condenação à solitária da vida sócio-colegial.

E depois de adulto, com a possibilidade de consumir mais cultura e com as facilidades da Internet, o filtro continua aumentando, a ponto de nutrirmos sentimentos por pessoas pela simples razão delas terem um gosto musical parecido ou adorarem o Tarantino.
Parece loucura? Não parece, é loucura! Não que seja loucura você se interessar afetivamente por alguém compatível intelectualmente, a loucura está no fato de existirem pouquíssimas pessoas que se preocupam com isso, resultando na solidão de pessoas cultas. O que era pra te aproximar das pessoas, acaba te segregando porque infelizmente a maioria das pessoas não faz bom uso das maravilhas tecnológicas para a absorção de conteúdo. Na minha época não tinha Internet, TV a cabo ou download. Tinha que se correr atrás. Hoje com tudo isso, pessoas só usam a Internet para ver recados do Orkut, sites de fofocas e ver quem saiu no BBB. É pouquíssimo para a infinidade de informação útil que tem na rede.

Então não me surpreende quando alguém estranha o fato de eu me interessar por pessoas que não usam as marcas da moda, o tênis do momento e a balada da galera. O que me surpreende é quando consigo me interessar por alguém, pois pessoas dessa espécie estão cada vez mais raras, condenando-me a eterna Síndrome de Ricky Linderman.

Quem é Ricky Linderman? É o personagem interpretado por Adam Baldwin (foto) no filme “Cuidado Com O Meu Guarda-Costas” de 1980, um garoto que vivia sozinho no colégio. Pelo fato dele ser diferente, todos acreditavam que ele era um assassino e ninguém falava com ele. Gosto muito desse filme e me identifico com o personagem, por isso esse isolamento natural recebeu esse nome.
Espero que os Rckys Lindemans do mundo, homens e mulheres, acabem se encontrando em algum momento da vida, para aliviarem ou até mesmo curarem suas síndromes.

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05 julio, 2011

LOJA VIRTUAL BAÚ DO KAMALEÃO


O Baú do Kamaleão nasceu à partir da idéia de reunir em uma loja virtual Cd's, Dvd's, Blu Ray's e Livros a um preço accessível ao público.

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18 mayo, 2011

Segundo Prêmio Clube de Autores


O meu livro "A IMAGEM SONORA", está concorrendo à Segunda Edição do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea. Em 2010 o livro recebeu uma Menção Honrosa na FLIP (Festa Literária de Parati), o que obviamente me deixou muito feliz e realizado.

Os votos desta segunda edição do prêmio estão abertos ao público até o dia 10 de junho de 2011, pelo endereço http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=38813

Conto com a ajuda de todos vocês!!!



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07 mayo, 2011

Para Um Soldado Perdido (Voor een verloren soldaat, 1992)


Temas polêmicos são sempre um chamativo, queiram ou não, que levam os telespectadores a assistirem alguns filmes, mesmo que isso dependa de um ponto de vista cultural. É assim que se pode começar a falar desse filme holandês. Tem-se em mente a idéia que os holandeses são liberais demais e talvez por isso esse filme tenha sido produzido, mas deve-se ressaltar que nessa história quase poética há muito mais que liberalismo. Para um Soldado Perdido, que chegou aqui no Brasil apenas em DVD ano passado, narra um romance pederasta, que causa comoção de uns e a aversão de outros.

Apesar de não se usar mais o termo pederastia, ele se encaixa muito bem para designar o relacionamento presente nesse filme. Alguns o veem como pedofilia, mas fazendo uma análise epistemológica notar-se-á a diferença. No Brasil a pederastia é crime, mas em muitas culturas, antigas e atuais, não é, então por isso não se pode ter algo como insano apenas por analisá-lo fora do seu contexto.

O filme conta a história de Jereon Boman, interpretado por Jereon Krabbé (quando adulto) e Maarten Smit (na fase criança), um coreógrafo que começa a relembrar momentos de sua infância que o marcaram (e muito). Somos então transportados para 1944, ao final da Segunda Guerra Mundial, Jereon aos 12 anos é mandado por sua mãe para longe do inferno que se instalou em Amsterdã. E esse ato da mãe do garoto nos remete aos romances A Menina que Roubava Livros e O Menino do Pijama Listrado.

No vilarejo que Jereon vai se instalar predomina uma paisagem extremamente bucólica. Ele se vê em uma vida totalmente diferente, com pessoas, idioma, hábitos tudo diferente do seu costume. Jereon é acolhido na casa de um senhor austero e religioso. Uma casa repleta de filhos (típico da época), e mesmo se sentindo um estranho no ninho é interessante a forma como o garoto interage com as pessoas, mesmo falando um idioma diferente daquele falado por quem ele gosta. Em meio a isso ele conhece um amigo do seu país de origem, mas é na figura do soldado canadense Walt que ele encontra o carinho e o acolhimento que tanto faz falta para um adolescente tido como abandonado.

Além de descobrir um mundo novo, o pequeno Jereon começa a conhecer seu próprio mundo interior, no começo de sua puberdade sua sexualidade começa a aflorar e traz consigo as dúvidas características da fase, e para isso note as caras do excelente desempenho do ator que o interpreta. E é aqui que surge a grande (e talvez polêmica questão): Jereon com 12 anos e Walt com idade entre 20 e 30 anos ambos apaixonados, um experiente, outro conhecendo o mundo e a si mesmo. O caso poderia sim ser encarado com mais polêmica não fosse a carga poética em cima da narrativa, e a dramaticidade que nos incita a torcer pelo casal.

A fotografia do filme é perfeita, e nos remete aos artistas mais clássicos, citando um que vem logo a mente, Van Gogh, diga se pelas cenas internas na casa que Jereon vai morar. A trilha sonora melosa demais e repetitiva, para alguns expectadores (o que não é o meu caso), é o ponto negativo mais gritante. Há que se ressaltar também que a direção de Roeland Kerbosch é excelente com tomadas certeiras, que dão ao filme um ar delicado que combina com a poesia do roteiro de Don Bloch. Devo dizer também que o roteiro é uma adaptação do romance do coreógrafo Rudi Van Dantzig (foto abaixo), romance este tido com autobiográfico.

O gênero e o início do filme dão a quem assiste a noção do que irá acontecer, não há muitos mistérios, com exceção do fato de a versão adulta de Jereon dialogar vez ou outra com seu passado e vice-versa. Como a proposta do filme já sugere, pode-se concluir que tudo que de fato com valor nos resta são as lembranças. Lembranças de um passado que poderia ter se tornado um futuro feliz para o personagem e lembranças de um filme diferente para quem o assista.

Gostar ou não desse filme ou do seu conteúdo é uma questão pessoal, mas há que se admitir que ele é muito bem feito e sua delicadeza permite uma experiência cinematográfica impar.

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02 mayo, 2011

Lately


"Lately" é uma daquelas canções de Stevie Wonder que marcaram a vida de tantas e tantas pessoas no mundo inteiro. Lançada em 1980 no álbum Hotter than July, a canção se tornou bastante popular e ganhou até uma versão em português criada por Ronaldo Bastos e interpretada por Gal Costa. A versão Brasileira passou a se chamar "Nada Mais" e recebeu uma tradução à altura da letra original. Depois de mais de 30 anos "Lately" ressurgiu no programa AMERICAN IDOL, com um novo arranjo e com a memorável interpretação do "aspirante à Idolo", Stefano Lagone. Infelizmente Lagone não ficou entre os finalistas do reality show, mas certamente sua carreira será um sucesso. Não é a tôa que o seu maior idolo no mundo da música é um dos maiores exemplos de que o SUCESSO sempre andou de mãos dadas com a SUPERAÇÃO.



ULTIMAMENTE (Lately) - Stevie Wonder

Ultimamente eu tenho tido sentimentos meio indefinidos,
Sem que haja nenhuma razão aparente prá eles.
Pensamentos de perda têem sido constantes, na minha cabeça...

Frequentemente sinto você usando perfume
E você diz que não vai a nenhum lugar em especial
Mas quando pergunto se você vai demorar a voltar
Você diz que não sabe, que nunca se sabe.

Bem, eu sou um homem de muitos quereres,
Queria tanto que minha intuição estivesse errada,
Mas o que realmente sinto meus olhos não conseguem esconder,
Porque eles logo começam a chorar,
Porque desta vez essas coisas poderiam significar um adeus.

Ultimamente eu tenho me encarado no espelho
Bem devagar, querendo mesmo me enxergar,
Tentando dizer prá mim mesmo que não há nenhuma razão prá esse sentimento, no seu coração.

Numa noite dessas, enquanto você estava dormindo
Eu ouvi você sussurrar o nome de outra pessoa
Mas quando te pergunto o que você está pensando
Você só diz que nada mudou.

Bem, eu sou um homem de muitos quereres,
Queria tanto que minha intuição estivesse errada,
Mas o que realmente sinto meus olhos não conseguem esconder,
Porque eles logo começam a chorar,
Porque desta vez essas coisas poderiam significar um adeus.

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01 mayo, 2011

Depois de Sábado à noite

(entrega em todo o país).

Ou nas melhores livrarias.

Se você for do Rio de Janeiro, pode ainda adquir direto com o autor.

Informações: mande um e-mail para kikoriaze@hotmail.com

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26 abril, 2011

Wendy Carlos


Quem vê a elegante e septuagenária senhora nem imagina que ela revolucionou a música no século vinte. Foi uma das pioneiras da eletrônica. E também o primeiro músico a ganhar disco de platina por um LP de música clássica. Ajudou a criar o estilo de música chamado “ambient music” e ainda fez trilhas sonoras para obras-primas de Stanley Kubrick. Tudo isso sem contar que ela um dia já foi um homem.

Músico de formação clássica, o americano Walter Carlos nasceu no dia 14 de novembro de 1939 em Rhode Island e na adolescência, iniciou seus estudos em piano e composição. Na década de 60, passou a ter aulas com pioneiros da área no primeiro centro de música eletrônica dos EUA. Nesta época, aproximou-se de Robert Moog, criador dos célebres sintetizadores Moog e teve direito a usar os primeiros e revolucionários modelos do instrumento. É importante lembrar que até meados dos anos 60 o tema despertava interesse acadêmico com participação de pesquisadores e cientistas, mas praticamente não havia na música pop instrumentistas especializados em eletrônica. Alguns tecladistas incluíam sintetizadores em seus sets, mas eram quase acessórios de luxo. Walter Carlos foi um dos primeiros a usar o crédito “músico eletrônico”.


Em 1968, ele lançou “Switched on Bach”, algo como “Conectado em Bach”, em que fez versões sintetizadas de obras do gênio alemão. Foi um sucesso estrondoso com mais de quinhentas mil cópias vendidas, algo inédito no universo da música clássica. No ano seguinte, fez uma releitura do “Cravo bem temperado” de Bach, chamando-a de o “Sintetizador bem temperado”. Foi quando o diretor de cinema americano Stanley Kubrick o convidou para fazer a trilha sonora da adaptação que estava preparando para um livro do escritor Anthony Burgess.


Lançado em 1971, “Laranja Mecânica” (“A Clockwork Orange”) se tornaria uma das obras fundamentais do Cinema, uma maravilhosa fábula sobre a violência e o controle do estado. Na trilha, Walter Carlos uniu músicas próprias a suas adaptações para “A nona sinfonia” de Beethoven - ídolo do personagem principal – e outras obras de compositores eruditos como Elgar (“Pompa e circunstância”) e Rossini (a famosa “Guilherme Tell”, entre outras). Já em 1972, Carlos lançaria o álbum duplo autoral “Sonic Seasonings” - em que cada lado representava uma estação do ano - pioneiro no que se convencionou chamar de “música ambiente”. Em meados da década de 70, o músico fez uma cirurgia para mudança de sexo, passando a se chamar Wendy Carlos. Todos os novos lançamentos e os re-lançamentos de obras antigas passaram a levar seu nome feminino. Depois de uma famosa entrevista para a revista Playboy em 1979 em que tratou do tema, Carlos passou a evitar o assunto. Tanto que em seu site oficial (http://www.wendycarlos.com), sua biografia refere-se a ela como se a vida toda tivesse sido mulher.


Wendy Carlos ainda trabalhou em outras trilhas para cinema (“Tron” da Disney e “O iluminado” de Kubrick), fez mais releituras de música clássica e relançou todos os seus discos antigos remasterizados e ampliados em CD.


Wendy Carlos é uma das personalidades mais interessantes, revolucionárias e estranhas da música pop. E embora hoje pareça ser apenas uma simpática e elegante senhora, sem dúvida alguma foi o primeiro transexual que com o seu talento e superação, conseguiu transpor as barreiras do preconceito exacerbado da sociedade dos anos 70.

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